tradução intersemiótica como possibilidade no processo de criação – dia 3

hoje, trabalhamos com a tradução dos aspectos do texto de gertrude stein sobre os quais conversamos no final do dia ontem. trabalhamos com as mesmas duplas para que o trabalho se aprofundasse. o primeiro exercício foi de escolher um aspecto e traduzir apenas ele, ou melhor tendo o foco apenas nele. no segundo e no terceiro exercícios fomos acumulando aspectos do texto à tradução – tentando criar camadas sobrepostas de tradução do mesmo texto.

exercício 1 aspecto

1. palavras banais

2. repetição de poucos vocábulos

3. repetição de poucos vocábulos

exercício 2 aspectos

1. palavras banais + palavras pequenas

2. repetição de poucos vocábulos + palavras pequenas

3. repetição de poucos vocábulos + relação com verbos no gerúndio

exercício 3 aspectos

1. palavras banais + palavras pequenas + insistência/repetição

2. repetição de poucos vocábulos + palavras pequenas +presente contínuo

3. repetição de poucos vocábulos + relação com verbos no gerúndio + metáfora (uma e outra uma)

tradução intersemiótica como possibilidade no processo de criação – dia 2

iniciamos o dia retomando os tipos de tradução sobre os quais conversamos ontem: imagética, diagramática, metafórica. vimos alguns exemplos de imagem: sin city

diagrama: anne teresa de keersmaeker – rosas – fase

metáfora:martha graham – night journey

exercícios

imagem do texto de gertrude stein

1. fotos em stop motion



2. movimento

3. música + movimento

diagrama do texto de gertrude stein

1. fotos em stop motion

2.movimento

3. movimento + música

metáfora do texto de gertrude stein

1. foto

2. movimento

3. movimento + música

tradução intersemiótica como possibilidade no processo de criação – dia 1

no primeiro dia de encontro da oficina iniciamos nos conhecendo de maneira breve. foi interessante descobrir que numa oficina que envolvia dança e literatura participavam pessoas de diferentes áreas, e com diferentes interesses, como desenho, pintura, música, tradução interlinguistica,   cinema, e dança. parece que a questão da relação entre as linguagens foi o que chamou a atenção das pessoas.

conversamos um pouco sobre o que seria tradução intersemiótica e diversas questões envolvidas nesta prática. a primeira pessoa a definir este termo foi Roman Jakobson (1959) como: transmutação ou interpretação de signos verbais em signos não-verbais. mas, hoje temos definições mais amplas como a de Gorlée (2007): “reconstrução de uma obra em um sistema distinto de signos, em outro contexto”. conversamos sobre alguns exemplos (sin city – hq > cinema; pulsar – poesia > música).

algumas perguntas surgiram: porque quando eu saio do cinema tenho a sensação de que faltou uma cena importante do romance? porque há preconceito quando eu falo que meu trabalho de dança foi realizado a partir de um estímulo da música ou da poesia? seria possível traduzir entre duas linguagens que não têm nada em comum? numa tradução interlinguística há uma convenção de que cada palavra significa algo, mas em linguagens como dança ou música os significados não funcionam do mesmo jeito, como posso traduzir “dor” em dança, por exemplo? é possível ter um método para traduzir algo? um método não é um modo de engessar o artista?

algumas idéias discutidas: tradução, mesmo entre duas línguas, não pode ser total e perfeita. uma tradução perfeita seria igual ao próprio texto. sempre “falta alguma coisa” do original. fidelidade ao original não é possível. assim, em uma tradução intersemiótica essas “faltas” serão maiores já que as diferenças entre os sistemas são muito maiores do que entre  duas línguas como o português e o inglês. a interpretação que o tradutor faz da obra (que vai ser traduzida) é muito importante, porque ele tem que escolher os aspectos que são importantes, o que ele quer destacar para fazer a sua tradução, o que faz dele um criador (o que Haroldo e Augusto de Campos enfatizaram sobre a tradução de poesia). outra questão é sobre a hierarquia entre as linguagens – Walter Benjamin (A tarefa do tradutor) tem um texto em que fala sobre como a tradução atualiza e modifica o original. o original não tem mais “poder” ou é mais “sagrado” do que a tradução.

métodos –> tradução icônica: discutimos alguns conceitos relacionados ao ícone (signo que faz operações de analogia – segundo C. S. Peirce): imagem, diagrama, metáfora. imagem: as ‘qualidades’ superficiais daquilo de que são feitos são similares. diagrama: as ‘relações’ entre suas partes constituintes são similares. metáfora: os ‘significados’ produzidos (efeitos interpretativos) são similares. tentamos discutir como isso poderia servir como uma ferramenta para a tradução intersemiótica.

exercícios: iniciamos com tradução “interlinguística” de movimento para movimento usando como parâmetro imagem, diagrama, metáfora. primeiro, fizemos traduções dos três tipos em uma roda, conversando e tirando dúvidas. segundo, fizemos um exercício em que metade do grupo estava dentro e metade fora. a partir de um movimento inicial, o primeiro grupo escolheu um dos três tipos de tradução para realizar. o grupo que estava fora observava a ação do primeiro grupo. uma voz de fora (eu), pedia algum tipo de tradução para o grupo de fora executar em relação ao primeiro. e assim, os grupos se alternavam sucessivamente. terceiro, desta vez não havia voz de comando externa, cada um devia escolher o tipo de tradução antes de entrar, e decidia o tempo de execução e saída, no máximo 4 dentro.

conversa com café, chá e bolo de chocolate (cortesia do ricardo couve).

tradução intersemiótica como possibilidade de tradução

tradução intersemiótica como possibilidade no processo de criação é uma oficina oferecida no projeto “corpomeiolíngua vol.2″ (coletivo couve-flor – http://www.couve-flor.org/) que acontece nos dias 06,07,08 de abril de 2010 no cafofo couve-flor, curitiba-pr, ministrada por daniella aguiar (daniellaguiar.wordpress.com/).